O primeiro ano de atuação profissional é repleto de desafios para o médico recém-formado e a parte fiscal costuma ser uma das mais negligenciadas.
No entanto, o primeiro fechamento anual é um momento decisivo para evitar problemas com a Receita Federal, pagar menos impostos de forma legal e estruturar corretamente sua vida financeira.
Ignorar obrigações fiscais, misturar pessoa física com jurídica ou declarar rendimentos de forma incorreta são erros comuns que podem gerar multas, juros e até cair na malha fina.
Por isso, entender os cuidados fiscais essenciais desde o início é fundamental.

1. Entenda como você recebe seus rendimentos
O primeiro passo é identificar como você recebeu seus ganhos ao longo do ano, pois isso impacta diretamente a forma de tributação:
- Pessoa Física (PF): plantões, consultas ou atendimentos pagos diretamente no seu CPF;
- Pessoa Jurídica (PJ): rendimentos recebidos por meio de CNPJ (clínica própria ou prestação de serviços);
- Misto (PF + PJ): cenário muito comum entre médicos iniciantes.
Cada modelo possui regras fiscais diferentes e deve ser tratado separadamente no fechamento anual.
2. Organize despesas dedutíveis corretamente
Uma vantagem pouco explorada pelo médico recém-formado é a possibilidade de deduzir despesas profissionais, desde que estejam devidamente comprovadas.
Exemplos comuns:
- Aluguel de consultório;
- Cursos, congressos e especializações;
- Material médico;
- Secretária ou serviços administrativos.
Importante: despesas pessoais não podem ser misturadas com despesas profissionais.
3. Médico PJ - confira o regime tributário escolhido
Se você abriu CNPJ, é essencial revisar se o regime tributário está correto:
- Simples Nacional (Anexo III ou V, dependendo do Fator R);
- Lucro Presumido (em alguns casos mais vantajoso).
Um enquadramento errado pode gerar pagamento de impostos maiores do que o necessário durante todo o ano.
4. Fator R - impacto direto no imposto do médico PJ
O Fator R é decisivo para médicos no Simples Nacional:
- Se a folha de pagamento (pró-labore + salários) for igual ou superior a 28% do faturamento, o médico pode ser tributado pelo Anexo III (alíquotas menores);
- Caso contrário, será tributado pelo Anexo V (alíquotas mais altas).
No fechamento anual, esse cálculo deve estar correto para evitar inconsistências e autuações.
5. Pró-labore e distribuição de lucros
Outro erro comum no primeiro ano é:
- Não definir pró-labore;
- Distribuir lucros sem respaldo contábil;
- Misturar conta pessoal com conta da empresa.
A falta de organização pode fazer com que valores isentos sejam tributados indevidamente no Imposto de Renda.
6. Declaração do Imposto de Renda - cuidado redobrado!
No primeiro IR como médico, é essencial conferir:
- Compatibilidade entre rendimentos declarados e impostos pagos;
- Informações cruzadas com hospitais, clínicas e operadoras;
- Declaração correta de bens, contas bancárias e investimentos.
A Receita Federal cruza automaticamente esses dados - qualquer inconsistência pode levar à malha fina.
Primeiro fechamento anual - oportunidade de organizar sua vida financeira
O primeiro fechamento anual do médico recém-formado é mais do que uma obrigação fiscal: é uma oportunidade de organizar sua vida financeira, corrigir erros e planejar os próximos anos com segurança.
Com acompanhamento contábil especializado, é possível:
- Reduzir a carga tributária de forma legal;
- Evitar multas e autuações;
- Estruturar corretamente sua atuação como PF ou PJ.
Quanto antes você cuidar da parte fiscal, mais tranquilidade terá para focar no que realmente importa: a medicina.
Perguntas frequentes sobre fechamento anual para médico recém-formado
1. Médico recém-formado precisa declarar Imposto de Renda?
Sim. Todo médico recém-formado que recebeu rendimentos tributáveis acima do limite anual definido pela Receita Federal é obrigado a declarar o Imposto de Renda, seja como pessoa física, pessoa jurídica ou ambos.
2. Médico recém-formado que deu plantão precisa pagar imposto?
Sim. Os rendimentos de plantões recebidos no CPF devem ser tributados via Carnê-Leão, com pagamento mensal do imposto.
Caso não seja feito, o valor será cobrado na declaração anual com multa e juros.
3. Vale a pena abrir CNPJ logo no início da carreira médica?
Sim. A abertura de CNPJ pode reduzir significativamente a carga tributária, especialmente para médicos com faturamento recorrente.
No entanto, a decisão deve ser analisada por um contador especializado em contabilidade médica.
4. O primeiro fechamento anual do médico pode gerar malha fina?
Sim. Erros comuns como rendimentos não declarados, falta de Carnê-Leão, divergência de dados e mistura de pessoa física com jurídica são causas frequentes de malha fina entre médicos recém-formados.
5. Médico recém-formado pode misturar conta pessoal com conta da empresa?
Não é recomendado. Misturar contas pode descaracterizar a pessoa jurídica, gerar tributação indevida e dificultar a comprovação de lucros isentos.
6. O que é o Fator R e por que ele é importante para médicos?
O Fator R é um cálculo que relaciona a folha de pagamento com o faturamento da empresa.
Ele define se o médico PJ será tributado pelo Anexo III ou V do Simples Nacional, impactando diretamente o valor dos impostos pagos.




